Depois de primeiras-damas influentes, como Clay Lago, Tati Palácio e Gardênia Gonçalves, Camila Holanda faz sua própria história como mulher do prefeito de São Luís

A História política recente de São Luís tem sido marcada por dois aspectos que pouco chamam a atenção, mas que, observados com certa acuidade, influenciaram fortemente no que aconteceu na cidade desde que os prefeitos voltaram a ser escolhidos pelo voto direto e secreto com a redemocratização. O primeiro: dos seis prefeitos eleitos de 1985 para cá, dois foram mulheres – Gardênia Gonçalves, em 1985, e Conceição Andrade, em 1992 -, e quatro, homens – Jackson Lago em 1988, 1996 e 2000, Tadeu Palácio em 2004, João Castelo em 2008 e Edivaldo Holanda Júnior em 2012. Nas gestões masculinas, as primeiras-damas tiveram papel destacado, fugindo, cada uma à sua maneira, da mesmice, tendo marcado suas posições de maneira adequada, sem atração por holofotes nem se deixando dominar pelas tentações do poder.

Clay Lago, médica, professora universitária, politicamente consciente e ideologicamente posicionada, exerceu forte, mas discreta, influência sobre o marido Jackson Lago durante os 10 anos em que ele comandou São Luís. Tati Palácio, mulher do prefeito Tadeu Palácio (2002/2008), arquiteta experiente, atuou fortemente nos planos político e técnico, com participação decisiva nos projetos urbanísticos do período, contribuindo com a gestão mesmo quando entraram em crise conjugal. Gardênia Castelo foi sempre o braço direito e a face social da ação política do prefeito João Castelo (2009/2012), com poder de decisão e com a experiência de quem também governou a cidade de 1985 a 1989. As três fizeram sua parte dentro de bons limites dos espaços a elas reservados nessa seara delicada.

Desde Janeiro de 2013, com a posse do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, São Luís convive com Camila Holanda, uma primeira-dama fora dos padrões, que não se envolve ostensivamente na gestão do marido, não faz nenhum esforço para exibir poder, não se encanta com holofotes, mas atua como um esteio do prefeito, o que a torna, além de esposa, uma parceira firme e determinada em todas as horas. Para começar, Camila Holanda é jovem, bonita, despretensiosa, com formação universitária, religiosa e lapidada por anos a fio de balé clássico, sua paixão e do qual só se afastou quando teve de assumir responsabilidades familiares, uma vez que o marido, também jovem, mergulhou na vida pública como político militante – com menos de 40 anos já exerceu dois mandatos de vereador, meio mandato de deputado federal e está concluindo o segundo consecutivo de prefeito de São Luís.

Muito jovem quando se tornou mulher do prefeito de São Luís, Camila Holanda iniciou aí um aprendizado difícil, cheio de desafios, ao longo do qual conheceu todos os contornos, perigos e armadilhas que pontilham o poder. Segundo um amigo do casal, sua determinação em dar suporte ao marido lhe deu forças para superar as dificuldades. Nessa trajetória, uma imagem chamou a atenção dos ludovicenses: na eleição de 2016, quando o prefeito corria sério risco de não emplacar o segundo mandato, jornais estamparam imagem da jovem primeira-dama grávida, sob sol forte, liderando um grupo de panfletagem no centro da cidade. O marido foi reeleito e esse desfecho lhe renovou as forças.

No segundo mandato, por razões que não conhecidas, Camila Holanda decidiu que, além do trabalho social que comanda – entre eles cursos de balé para crianças carentes -, seria presença constante ao lado do marido em todos os atos por ele comandados. Foram meses e meses de registros de uma primeira-dama meio convencional. De uns tempos para cá, porém, depois que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior deflagrou o monumental programa “São Luís em Obras”, com a restauração das áreas centrais e de urbanização – drenagem e pavimentação -, em centenas de bairros, a primeira-dama de São Luís mudou radicalmente: acompanha o marido diariamente em visitas a frentes de obras, agora de calças jeans, botinas, camiseta e máscara, sem qualquer adorno. Sempre empunhando um celular, documenta máquinas trabalhando, mostra o prefeito em ação, informa sobre rua, bairro e o tipo de obra em andamento, disparando pequenos vídeos nas suas contas em redes sociais. Não se sabe o alcance dessa ação, mas com certeza, se não foi ainda, já deveria estar sendo levada em conta pelos estrategistas da área de comunicação do Governo municipal.

Há quem diga que a jovem primeira-dama de São Luís está tomando gosto pela política. Mas até aqui o que é visível mesmo é o seu entusiasmo pelo trabalho do marido, que tem horizonte largo pela frente. E construindo uma história que pode também ser uma boa referência para as jovens senhoras cujos maridos estão metidos na briga pelo Palácio de la Ravardière

Após Clay Lago, Tati Palácio e Gardênia Castelo, Camila Holanda vem fazendo diferença como primeira-dama de São Luís

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