A Associação dos Delegados da Polícia Civil do Maranhão (ADEPOL/MA), realizou nesta sexta-feira (25/11) as eleições para escolha da nova Diretoria Executiva, do Conselho Fiscal e Conselho Disciplinar para a gestão da entidade no triênio 2023/2025. A Chapa 1 denominada é INTEGRAR E AVANÇAR, que tem como presidente o delegado Márcio Dominici venceu as eleições com 59,46% dos votos.

A Chapa 2 – União e Resgate, encabeçada pelo Delegado Gustavo Alencar, teve apenas 40% dos votos válidos e apenas 02 votos nulos. A eleição teve seções eleitorais em São Luís, Imperatriz, Pinheiro, Presidente Dutra, Santa Inês, Timon e Balsas. A novidade desta eleição foi a possibilidade do voto online para o associado que não podia comparecer presencialmente em uma das seções de votação e se cadastrou previamente.

Diferente das eleições anteriores nas quais praticamente não houve disputa, a deste ano foi marcada por um acirrado debate entre as duas chapas concorrentes, que chegou até às vias da Justiça. O motivo da contenda é que os simpatizantes e membros da Chapa 2 queriam mudar em cima das eleições um dispositivo do Estatuto Social da entidade existente desde 2018, que estabelece que somente poderá ser eleitor o associado que tiver pelo menos um ano de associado.

Os membros da Chapa INTEGRAR E AVANÇAR por sua vez defendiam a legitimidade e a necessidade do dispositivo por vários motivos, especialmente para assegurar uma maior fidelidade do associado para com a Associação. A divergência foi parar na Justiça e a Juíza 13ª Vara Cível da Capital determinou que a ADEPOL realizasse Assembleia Geral para deliberar sobre o tema. A Assembleia Geral foi realizada no dia 11/11 e nela os seus associados entenderam pela manutenção do dispositivo e especialmente que não caberia eventual mudança para a eleição que se aproximava. Na oportunidade, foi aprovado o voto online para as futuras eleições, mas a medida já foi implementada nesta, fruto de acordo entre as chapas concorrentes.

A eleição acontece em cenário considerado por muitos como de uma das maiores crises da história da Polícia Civil do Maranhão, que tenta sobreviver em meio às suas grandes dificuldades, desânimo dos policiais, falta de estrutura física e operacional e especialmente pela carência de policiais. Na capital, a maioria dos distritos funcionam com apenas 02 ou 03 policiais. No interior do Estado são mais de 100 municípios sem o serviço de Polícia Civil e em outros tantos, as quantidades de policiais são sempre insuficientes para as demandas, o que obviamente compromete a qualidade dos serviços de polícia judiciária.

Além das demandas estruturais, as categorias policiais padecem de demandas judiciais intermináveis que afligem todas as suas categorias e que precisam ser enfrentadas. Nos últimos oito anos as portas literalmente se fecharam para os diálogos entre o Governo, os delegados e policiais civis em geral, que não viram avanços institucionais e contabilizaram sucessivas perdas de direitos, entre eles a retirada do processo seletivo interno de remoção que democratiza as lotações dos servidores, a retirada das representações classistas do Conselho Superior de Polícia Civil, instância interna que dentre outras atribuições tem a finalidade de julgar as infrações disciplinares, o fechamento da unidade prisional para prisões provisórias de policiais civis que existia no prédio da Delegacia da Cidade Operária (DECOP), e o despejo da ADEPOL da sua sede histórica em um prédio situado no centro histórico da capital e que era usado há décadas pela ADEPOL. Depois do despejo, o prédio permaneceu abandonado e sem qualquer uso pelo Estado.

A ação sem uma razão concreta de ser foi entendida por muitos delegados como mero ataque à categoria dos delegados e à história da entidade classista. Parte dessas medidas já foram reparadas pelo atual Secretário de Segurança Pública, Cel. Sílvio Leite, que reabriu o diálogo com as entidades classistas e recentemente inaugurou uma unidade prisional para policiais civis em Paço do Lumiar e também já encaminhou providências para a reinserção das entidades classistas ao Conselho Superior de Polícia Civil.

É nesse cenário de crises e esperanças por novos tempos que aconteceu a eleição da ADEPOL e, em breve, acontecerá a do sindicato dos policiais (SINPOL).

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