No dia 30 de janeiro de 2024, Marco Duailibe, ex-secretário de Cultura de São Luís, viu-se no centro de uma tempestade midiática ao ser exonerado pelo prefeito Eduardo Braide. A demissão ocorreu em meio a denúncias relacionadas à contratação da escola “Juju e Cacaia Tu és uma bênção” por R$6,9 milhões para o projeto “Carnaval de São Luís 2024”. Este contrato, assinado por Duailibe e pela presidente do instituto, Aline Mayara Silva Messias, totalizou R$6.996.731,60 e tornou-se alvo de controvérsias.

O Ministério Público estadual, após análise, considerou o contrato legal e recomendou a sua manutenção, uma decisão que contrariou a exoneração promovida por Braide. Nesse contexto, Marco Duailibe decidiu quebrar o silêncio e compartilhar suas perspectivas e sentimentos por meio do artigo “SOBRE HONRA E MORAL.”

O texto é uma narrativa intensa que revela a profunda dor emocional enfrentada por Duailibe nos dias subsequentes à sua exoneração. Em um relato pessoal, ele desabafa sobre o impacto negativo em sua reputação e a falta de consideração à sua história construída com integridade e credibilidade ao longo de 41 anos de trabalho.

Duailibe destaca que, ao longo de sua vida, nunca teve seu nome envolvido em controvérsias, o que torna ainda mais difícil aceitar a situação. Ele expressa a tristeza por ser arrastado para uma situação na qual se vê acusado injustamente, sem ter cometido nenhum erro.

O ex-secretário agradece pelo apoio recebido de sua família, amigos e até mesmo de pessoas não tão próximas, que reconhecem sua luta pela dignidade. Após um período de silêncio, ele decide se manifestar para esclarecer alguns fatos e agradecer a todos que sempre confiaram em sua idoneidade e na de seus auxiliares diretos.

Duailibe compartilha sua trajetória de três anos como secretário, destacando o orgulho de ter liderado uma equipe que transformou em uma grande família. Ele enfatiza ter trabalhado incansavelmente, sem férias, dias e noites, domingos e feriados, sempre feliz e com uma conduta ilibada. Ressalta que nunca recebeu um real a mais que seu salário, dormindo todas as noites com a consciência tranquila.

O texto aborda o chamamento público realizado antes do Carnaval, no qual a única instituição inscrita foi a “Juju e Cacaia, Tu és uma bênção”. Marco Duailibe defende a instituição, que possui em seu CNAE a possibilidade de realizar eventos culturais, e menciona que sua imagem foi deturpada devido ao nome e à manutenção de uma escola, levantando dúvidas sobre sua integridade.

Ele destaca a participação do jurídico e da chefia de gabinete naquele momento, ambos representados por profissionais sérios e competentes, prejudicados pela exposição de suas honras e carreiras. O resultado foi a exoneração de todos sem a chance de defesa.

Dias depois, o Ministério Público esclareceu a licitude do processo, a capacidade técnica da entidade e recomendou à prefeitura de São Luís a acatar a decisão que restabeleceu à “Juju e Cacaia” a execução do Carnaval. O ex-secretário enfatiza que não há felicidade em contar essa história, pois há dores que só cicatrizam por fora, e somente quem sente na pele compreende o impacto interno.

Marco Duailibe revela noites sem dormir, sem comer, chorando por uma culpa que nunca tiveram. A fé é mencionada como um refúgio, entregando tudo nas mãos de Deus, clamando por misericórdia e justiça. Ele escolhe confiar e permitir que Deus enxugue seu pranto, buscando a vitória não apenas encontrando culpados, mas preservando a própria alma.

O texto destaca a profunda decepção ao ver pessoas que nutria amizade e lealdade se distanciarem. A pergunta sobre a possibilidade de recuperar o emprego torna-se secundária diante do que realmente desejam: a reconquista da honra e dignidade.

O desfecho aponta para o retorno de Marco Duailibe à sua carreira de publicitário, buscando novas oportunidades de trabalho. Aulinda e Felipe, seus ex-auxiliares, retornam ao conceituado escritório de advocacia, não deixando que a maldade alheia prejudique suas trajetórias.

O ex-secretário conclui o texto mencionando sua paixão pela arte, citando Cecília Meirelles: “não tenho inveja às cigarras, também vou morrer de cantar.” Ele promete continuar superando adversidades, mantendo-se firme na sua arte, mesmo diante de cicatrizes profundas e da dor que permeou toda essa jornada.

Leia abaixo o artigo:

SOBRE HONRA E MORAL

por Marco Duailibe

Já ouvi muitas histórias de pessoas que tiveram sua honestidade à prova, sua vida exposta em carne viva.

Nunca pensei que um dia viveria uma situação tão dolorosa quanto essa.
Em poucos dias meu nome foi achincalhado, motivo de dezenas de reportagens de pessoas que em nenhum momento levaram em conta a minha história, escrita com integridade e credibilidade em 41 anos de muito trabalho, embora a maioria conheça a minha essência como profissional e como cidadão.
Em toda a minha vida, nunca tive o meu nome envolvido em nenhum imbróglio, o que me fez mergulhar não em fundo de poço, mas numa profunda tristeza por ser obrigado a viver tudo isso sabendo que não fiz nada de errado.

Recebi muito carinho de minha família, dos amigos e de gente que mesmo não sendo próxima, conhece a minha luta para viver dignamente.

Hoje, após um grande silêncio, resolvi me manifestar em relação a toda essa história.
Não só para esclarecer alguns fatos, mas para agradecer a todos os que jamais duvidaram da minha idoneidade e da idoneidade dos meus auxiliares diretos, nos quais eu confio e sempre confiei para gerir a cultura da minha cidade.

Em três anos de serviço público como secretário, sem nunca ter gozado férias, de ter trabalhado dias e noites, domingos e feriados, no sol e na chuva, sempre feliz e com uma equipe que transformamos em uma grande família, eu tenho o maior orgulho de ter feito o que pude sem nunca ter ganho nenhum real a mais que o meu salário, o que fez com todo esse tempo todo eu dormisse com a minha consciência tranquila e como a minha conduta ilibada – assim como a conduta dos meus ex-auxíliares.

Vamos resumir a história porque não temos mais tempo para sofrer.

Antes do Carnaval, realizamos um chamamento público. A única instituição que se inscreveu para participar foi a Juju e Cacaia, Tu és uma bênção. Uma instituição que sempre cumpriu o seu papel e que tem em seu CNAE a possibilidade de realização de eventos culturais. Talvez por seu nome ser em homenagem aos seus familiares, tenha sido motivo de chacota e, por manter uma escola, tenha tido sua imagem deturpada, o que levantou dúvidas sobre a sua integridade – ah, os juízes de internet!
Junte-se a isso o parecer do nosso jurídico naquele momento e do entendimento da nossa chefia de gabinete, ambos representados por profissionais sérios, competentes, que foram extremamente prejudicados e tiveram sua honra e carreira expostas.

Resultado: após toda essa história se tornar um escândalo na imprensa, todos fomos exonerados, sem que ao menos tivéssemos chance de defesa.

Dias depois, através de um trabalho brilhante do Ministério Público, ficou comprovada a licitude de todo o processo, a capacidade técnica da entidade e a prefeitura de São Luís foi recomendada a acatar a decisão que devolveu à Juju e Cacaia a execução do carnaval da nossa cidade promovido pelo município.
Saibam, não há nenhuma felicidade em contar essa história.

Há dores que só cicatrizam por fora.
Só quem sente na pele sabe o que isso causa por dentro.

Foram noites sem dormir, sem comer, chorando por uma culpa que nunca tivemos.

Mas quem nos conhece – Marco Duailibe, Aulinda Lima e Felipe Martins- sabe de nossa fé.

Durante todo esse tempo, entreguei tudo nas mãos de Deus, porque um Pai conhece bem o seu filho. E de mãos estendidas para Jesus e Nossa Senhora, clamei por misericórdia, clamei por justiça.

Em um dado momento, ouvi no sermão de uma missa que o mal acontece até para quem só faz o bem.

Eu escolhi confiar.

Eu escolhi deixar Deus enxugar o meu pranto e me dar a vitória.

Mas o que é vencer? Encontrar culpados?

Apontar quem errou?

Nada disso vai ser pior do que feriu a minha alma.

Nada disso vai ser pior do que deixar de acreditar e admirar pessoas que a gente nutria uma profunda amizade e lealdade.
Nada vai conseguir curar uma profunda decepção que arranca pessoas do nosso coração.

Já me perguntaram se teria ou queria o meu emprego de volta.

Nesse momento, o que queriamos de volta já temos: a nossa honra, a nossa dignidade.
O resto vem pela consciência e pelo caráter de cada um.

Agora volto a ser um publicitário com 41 anos de profissão, em busca de uma nova oportunidade de trabalho, pois herdei dos meus pais, além dos princípios que norteiam a minha vida, a vontade e o gosto pelo trabalho. Aulinda e Felipe retornam ao seu conceituado escritório de advocacia, que não há de sofrer um arranhão por causa da maldade alheia.

E jamais vou deixar de fazer a minha arte, pois como diria Cecília Meirelles: não tenho inveja às cigarras, também vou morrer de cantar. E, cantando, superando qualquer adversidade.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui